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Apartamentos em prédios antigos precisam de reforma, mas isso não desmotiva compradores Morar em um edifício antigo assinado por um arquiteto famoso pode ter seu chame, mas é preciso estar atento às características do local. Um apartamento em um prédio desse tipo pode ser até 30% mais caro que um imóvel de tamanho parecido no […]

Apartamentos em prédios antigos precisam de reforma, mas isso não desmotiva compradores

Morar em um edifício antigo assinado por um arquiteto famoso pode ter seu chame, mas é preciso estar atento às características do local.

Um apartamento em um prédio desse tipo pode ser até 30% mais caro que um imóvel de tamanho parecido no prédio vizinho.  Além disso, após concluir a difícil tarefa de encontrar uma unidade disponível, o comprador terá que realizar reformas e procurar um local para guardar o carro, já que pode não haver vagas de garagem.

Mas mesmo com as dificuldades, esse mercado tem um público fiel. Segundo apreciadores de arquitetura e investidores, a fama desse tipo de imóvel é semelhante a do vinho: quanto mais antigo, melhor – e mais caro.

No região central da cidade, há um famoso representante disso no segmento residencial: O edifício Copan. Construído de 1951 a 1966, tem 36 pavimentos, 82 lojas, 115 metros e foi projetado por Oscar Niemeyer (1907 – 2012 ).

Prédios como o Copan, são exemplos de um capítulo da história de São Paulo em que as construções do centro do início do século passado, que tinham forte inspiração francesa, perderam espaço para arranha-céus, sob influência americana e modernista.

“A verticalização começou em 1920, mas os edifícios residenciais apareceram em 1930 e 1940, principalmente no centro”, diz a pesquisadora Nadia Someck.

“Até a década de 1970, não se pensava em um edifício como um empilhamento de casas”, afirma José Armênio Cruz, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil( IAB-SP).

A atriz Grace Gianoukas comprou um apartamento no edifício Bretagne, em Higienópolis, em 1994. Ela quer se mudar para um apartamento com três quartos no mesmo prédio, mas tem até fila de espera.

Quem pretende morar em um imóvel antigo e assinado por um arquiteto renomado, precisa considerar que tanto a planta do imóvel quanto o condomínio costumam ser muito diferentes dos empreendimentos novos.

Isso porque mesmo que resista ao tempo, o edifício teve como foco famílias com hábitos diferentes e mais numerosas do que as de hoje.

Marcelo Montoro, da imobiliária Imóveis Diferenciados, explica que o perfil dos apartamentos mais antigos inclui pé-direito mais alto, cômodos e janelas maiores e paredes mais grossas.

Fora isso, esse tipo de empreendimento, na maioria dos casos, não é para quem busca várias vagas de garagem e área de lazer com muitos equipamentos.

O estado de conservação é o que define o valor do imóvel “assinado”. Um apartamento malcuidado tende a ser depreciado como qualquer outro. “Às vezes, é preciso atualizar o sistema hidráulico e elétrico do prédio, o que não depende só do morador”, diz o presidente da franquia imobiliária Re/Max Brasil, Renato Teixeira.

Segundo o corretor Ricardo Gomes, um “assinado” custa em geral de 10% a 30% mais do que um apartamento do mesmo tamanho e com mesmo estado de conservação em um prédio vizinho. “A procura pelo Bretagne, por exemplo, é bem maior do que pelos outros edifícios do entorno”, afirma.

Para José Eduardo Cazarin, fundador da imobiliária Axpe, eles são mais caros porque há poucas unidades no mercado.

Historia – De acordo com José Armênio, do IAB-SP, uma saída para quem quer morar em um edifício antigo com planta moderna é alterá-la. “Você quebra paredes e faz uma suíte, por exemplo”. Nesse caso é preciso ter atenção à obra, pois caso não seja bem-feita, pode descaracterizar o imóvel e eliminar o que o torna diferente dos outros, a história.

Janaína Rueda, proprietária e chefe do bar Dona Onça, que fica no pé do Copan, edifício onde ela tem também um apartamento de 197 m², conta que modificou a planta para adequar o imóvel ao seu uso.

“Comprei-o em 2007 por R$ 250 mil, mas, numa reforma que durou dois anos, derrubei a parede que separava cozinha e sala e transformei o ambiente em um espaço só, com direito a uma cozinha industrial.” A reforma e a instalação da cozinha custaram R$ 200 mil.

A urbanista Simone Gatti reformou o apartamento com o objetivo oposto – aproximá-lo do seu projeto original. Ela mora em uma unidade de 140m² no condomínio Edifício Albertina, Cícero Prado e Cecília, nos Campos Elíseos.

Projetado pelo ucraniano naturalizado brasileiro Gregori Warchavchik (1896-1972) o conjunto foi levantado em 1954. Formado por três blocos em formato de “U”, tem apartamentos que medem de cem metros quadrados a 140 m².

O parquet da sala foi refeito e o piso original da sacada foi restaurado. “Tudo nele foi planejado para eu ter luz solar, ventilação, silêncio. Há janelas em três faces do apartamento”, conta Simone, que gastou 6% do valor do imóvel na reforma.

Para deixá-lo igual ao original, ainda irá reformar o banheiro e trocar as louças e as pastilhas. “Faço isso por amor à arquitetura”, diz.

 

Fonte: Folha de S. Paulo

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